Voltar publicado em 18/06/2009 s 11:18 | Categoria: Bibliologia.

AULA 26 - EPISTOLAS DE PEDRO

 

AULA 26 – I e II EPÍSTOLA DE PEDRO
 
 
I EPÍSTOLA DE PEDRO
 
Autoria: Apesar de ter sido considerado homem inculto e iletrado (Atos 4:13), Pedro escreveu uma epístola de alto nível. Talvez aquele rótulo advenha do fato de Pedro não ter freqüentado as universidades gregas da época, nem ter sido um escriba ou doutor da lei. Contudo, isso não significa que ele fosse analfabeto e ignorante. Se lhe faltava muito da vasta cultura grega, o mesmo não se pode dizer quanto ao idioma, pois o grego era falado por todas as classes sociais. Além disso, falava o aramaico e talvez o hebraico. Como todo bom judeu, Pedro tinha todo o conhecimento da lei de Moisés e demais Escrituras do Velho Testamento.
 
Data: Os comentaristas sugerem datas entre 63 e 68 d.C. O ano mais indicado é 64.
 
Destinatários: Cristãos dispersos na Ásia Menor (judeus e gentios) – 1:1; 2:10.
 
Circunstância: A carta foi escrita numa época de grande perseguição imperial contra a igreja após o incêndio em Roma. No período em que Pedro escreveu, os perseguidores passaram a ser os gentios (4:3-4, 12).
 
Características: O livro é exortativo, consolador, cristológico, "cristocêntrico". Observamos que Tiago quase não cita Jesus em sua carta. Pedro, porém, cita-o a todo o momento. Aquele que o havia negado, agora tem no seu nome a base de sua doutrina.
Pedro apresenta Jesus como:
. Fonte de esperança – 1:3                       
. Cordeiro do sacrifício – 1:19.
. Pedra angular – 2:6                                    
. Exemplo perfeito – 2:21-23.
. Aquele que levou nossos pecados – 2:24.         
. Sumo pastor – 2:25.
. Bispo das nossas almas – 2:25.         
. Assentado à destra de Deus – 3:22.
 
Propósito da carta: Firmar, orientar, confortar.
Para os irmãos atribulados, Pedro oferece uma palavra de esperança, menciona os fundamentos da fé cristã e o que Deus tem para nós no futuro. Quando as tribulações se multiplicam, é bastante oportuno que essas verdades sejam mencionadas para renovação da fé e do ânimo. A obra de Cristo no passado (1:3) e a herança cristã no futuro (1:4-5) são mencionados como estímulo para se enfrentarem as dificuldades presentes (1:6).
Em tais circunstâncias, é necessário que nos lembremos de quem somos. Nossa identidade pode estar sendo questionada pelos homens, pelo diabo (Mateus 4:2) ou até mesmo por nós mesmos. Pedro então enfatiza essa realidade espiritual que, muitas vezes, é desafiada por uma realidade aparente adversa. Ele utiliza enfaticamente o verbo ser: "Não éreis povo..."; "Agora sois... povo de Deus, geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido..." (2:9-10). "Sois guardados, mediante a fé, para a salvação." (1:5). "Sois edificados como casa espiritual." (2:5).
 
 
SEGUNDA EPÍSTOLA DE PEDRO
 
Autoria: No primeiro versículo, o autor já se apresenta como "Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo." Pouco adiante, Pedro menciona que presenciou o episódio da transfiguração (I Pedro 1:16-18; Mateus 17:5). No capítulo 3, versículo 1, o autor se refere à primeira epístola.
 
Data: 64 d.C.
 
Destinatários: Baseado em 3:1 entendemos que os destinatários são os mesmos da sua primeira carta: cristãos dispersos na Ásia Menor. O primeiro versículo do livro parece sugerir que o autor pretendia que seu escrito tivesse um alcance maior: ele se dirige "aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa..."
 
Temas e Objetivos: Animar os irmãos (capítulo 1); Denunciar os falsos mestres (capítulo 2); Falar sobre a segunda vinda de Cristo.
 
 Esboço:
 
1 - Caminho 1 - A vida cristã - uma palavra de estímulo – 1:1-21.
O capítulo 1 está falando da trajetória cristã. O ponto de partida está em 1:4: "...havendo escapado da corrupção que pela concupiscência há no mundo". Trata-se da conversão. Quem se converte não pode achar que já tem tudo o que Deus pode oferecer. A partir do versículo 5, o autor apresenta uma lista de qualidades ou capacidades que devem ser alcançadas pelo cristão. Aquele se converte tem fé. A fé foi alcançada (1:1), mas ela não é um fim em si mesma. Pelo contrário, é o início de uma jornada. Com diligência (ou zelo) (1:5), o cristão deve buscar: virtude (bondade ou bom procedimento), conhecimento, temperança (ou domínio próprio), paciência (ou perseverança), piedade, amor fraternal (fraternidade), amor (ágape).
 
2 - Caminho 2 – Os falsos mestres – denúncia – 2:1-22.
Enquanto que no capítulo 1, Pedro falava a respeito dos cristãos fiéis, agora ele passa a se referir aos falsos mestres, seu caráter, suas obras e o conseqüente castigo. Esses são os que andam pelo "caminho de Balaão" (2:15). Sabendo de sua morte iminente (1:14), o autor está preocupado com aqueles que talvez o sucederão e aos demais apóstolos na liderança da igreja. O seu modo de caminhar é identificado através de seu comportamento. O texto apresenta verbos e adjetivos que nos fazem compreender o caráter desses homens:
- Falsos, dissimulados, hereges, destruidores, negam a Cristo, libertinos, avarentos, mentirosos, fazem comércio de vidas, são carnais, seguem paixões imundas, são rebeldes, atrevidos, obstinados, como animais irracionais, blasfemos, injustos, luxuriosos, enganadores, adúlteros, insaciáveis, malditos, vaidosos, arrogantes, inconstantes, escravos da corrupção (2:1-3, 10-14, 18-19; 3:3).
- Apesar de todo esse conteúdo maligno, tais homens apresentam uma aparência positiva. Afinal, são líderes, são mestres, e prometem liberdade aos seus seguidores (2:1-2, 19).
 
3 - A segunda vinda de Cristo e o juízo – 3:1-18.
Pedro encerra sua obra com um capítulo escatológico. Após ter falado sobre dois caminhos, dois tipos de vida, o apóstolo fala sobre a segunda vinda de Cristo (3:4) e, novamente, trás à tona o tema do juízo, comparado ao dilúvio dos dias de Noé (3:7). Está em destaque a aparente demora da "parousia". Pedro adverte que o tempo de Deus é diferente do nosso. "Um dia para Deus é como mil anos e mil anos como um dia". (3:8).
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