Quando analisamos a Bíblia quase sempre a entendemos como sendo o início de tudo: Adão e Eva. A visão de muitos homens é que tudo começou no Édem, onde Deus criou cada um dos elementos que compõe a natureza em seis dias e depois descansou.

Precisamos, no entanto, entender que as origens de todas as coisas são anteriores a este evento. Primeiro, porque Deus já existia. Segundo, porque os anjos já haviam sido criados por Ele e já operavam. E em terceiro lugar, porque existe uma grande lacuna entre os versos um e dois do primeiro capítulo de Gênesis.
Mas como era esta primeira terra?
Existem várias linhas de pensamentos com relação a esta primeira terra, porém algumas delas são dignas de atenção, vejamos:
a) Alguns estudiosos interpretam Gênesis 1 como um texto não literal e sim como uma poesia ou um simbolismo – Esta é considerada como a teoria da criação progressiva; mas, é difícil aceitar que Deus não houvera criado todas estas coisas e que isto é simbólico.
b) Teoria da alternância dia-era – Que esta terra fora criada, onde os dias foram períodos de vinte e quatro horas, ou curtos períodos de tempo separados por vastas eras geológicas.
c) Teoria da catástrofe universal causada pelo dilúvio – Onde foi criada a primeira terra, baseados em Gênesis 1 e posteriormente houve a destruição de tudo com a inundação da Terra. (Estas três correntes são citadas no Livro: O Pentateuco – Paul Hoff – Editora Vida, página 25 e 26).
d) Uma quarta linha de pensamento é que Deus criou a terra sem forma e ao vê-la em condições caóticas passou a transformá-la, colocando em ordem tudo o que estava em desordem segundo via a necessidade – É difícil aceitar esta concepção, pois se assim o fizermos, teremos que entender que Deus não sabia o que estava fazendo e que, com o passar do tempo, veio entender o que era melhor e o que precisava corrigir.
e) Outros ainda crêem que Gênesis 1:1 é como se fosse apenas o título do capítulo primeiro e que tudo começa no verso segundo.
f) Outros ainda crêem que esta terra havia sido criada por Deus a milhões ou bilhões de anos atrás, mais aproximadamente 4 bilhões e 500 milhões de anos; e que nela havia raça humana e outras espécies, que apareceram há aproximadamente 2 bilhões e 500 milhões de anos atrás (Livro: A Biodiversidade – Editora Nacional – Volume 2, página 10, Paulo Mauricio Silva), que em determinado momento, pela sua corrupção e pelo seu pecado, influenciados por Satanás, sofre a destruição e desde então, a terra entra em caos. Esta corrente é uma das que estão sob a atenção e análise de alguns teólogos, o que pode explicar a questão de milhões ou bilhões de anos de existência da terra e a existência de vida (talvez isto explique a existência dos dinossauros e vida pré-adâmica)
g) Outra corrente digna de atenção e que é aceita por muitos é que a primeira terra criada era habitada por Lúcifer (querubim ungido) e que em determinado momento, pelo seu pecado, cai (Lucas 10:18) e leva a terra em que habitava ao caos. Alguns crêem que existe a possibilidade do “Big Bang” estar relacionado com a queda de Lúcifer e de seus seguidores. Outros crêem que a primeira terra era um reino mineral, composta de pedras afogueadas (Ezequiel 28:13-14). O primeiro “Édem”, dizem estes, era fabuloso; porém, com a queda deste querubim, que resolve subir aos céus e ser semelhante ao altíssimo, entra a rebelião e o pecado neste lugar, o que leva Deus colocar a Sua potente mão sobre esta terra, que experimenta um desarranjo com a “ira de Deus”. Neste contexto, entendo que aquele lugar, antes habitado por Lúcifer e os anjos de Deus, passa a sofrer diretamente as conseqüências do pecado.
Em nossa concepção estas duas últimas correntes podem ser analisadas e observadas com carinho.
Tenho, porém, comigo a seguinte linha de pensamento:
“Creio que Deus criou o universo, talvez a milhões ou bilhões de anos passados (Gênesis 1:1). Esta terra possuía condições de vida e era habitada. Sofre a influência de Satanás, que ao tentar se igualar a Deus e ter o domínio sobre tudo e todos, leva, pelo seu estado de rebeldia, a terra a uma situação caótica. Ele passa a requerer o domínio sobre ela e ao tentar subir aos céus para requerer um posicionamento de ser como Deus, cai e com a sua queda gera o caos encontrado em Gênesis 1:2. Após longo tempo inicia-se o relato de Gênesis 1:3”.
Este pensamento particular é baseado em que tanto a História quanto a Ciência têm provado a existência de vida, anterior há 6000 anos (Período pré-Adâmico). Isto tem sido comprovado através dos testes do carbono 14 e do urânio-chumbo sobre fósseis encontrados em escavações, de microscópios potentes que tem identificado outros “sóis” em galáxias vizinhas que emitem luz e esta demora milhares de anos para chegar até nós; de experiências científicas, descobertas geológicas e arqueológicas de objetos e fósseis; da formação de petróleo que demora milhares de anos para ser formado; da composição das camadas de rochas no solo; e finalmente, é lógico crer que a revelação de Deus a Moisés tenha sido dada em conceitos compreensíveis aos homens daquela época e não em termos técnicos ou científicos comuns ao de nosso século, entre outras coisas. Além de que seria impossível aceitar a idéia de que as descobertas feitas neste século, a respeito da origem da vida, são pura especulações e não possuem valor algum. Porém, não creio na teoria evolucionista que prega a criação feita através do desenvolvimento das espécies e nem tão pouco que o homem veio do macaco.
Paul Hoff, em seu livro “O Pentateuco”, ainda diz que, tanto geólogos, arqueólogos e cientistas cristãos, têm procurado elaborar teorias que possam reinterpretar o relato bíblico.
Baseado nisto, creio que é necessário um tempo de maturidade na vida da Igreja e de deixar alguns conceitos errados ou pré-concebidos que foram impregnados em nossa mente, sem qualquer análise ou discussão. Se não temos uma visão clara com relação a este assunto, devemos nos aprofundar no estudo e no debate; e não simplesmente; nos abstermos da questão, por não conhecermos ou não desejarmos conhecer.
Pastor Azevedo Ministério Avivamento no Altar